A construção da Ponte Salvador-Itaparica exigirá uma operação de engenharia de grande porte dentro da Baía de Todos-os-Santos. O projeto prevê uma travessia de 12,4 quilômetros sobre o mar, além de túneis, viadutos, uma nova via expressa na Ilha de Itaparica e intervenções na BA-001.

Entre os elementos que mais chamam atenção estão as duas torres da parte estaiada, projetadas com 248 metros de altura, além de uma estrutura provisória instalada praticamente ao longo do traçado para permitir que máquinas, materiais e trabalhadores avancem sobre o mar.

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O empreendimento é executado dentro de uma Parceria Público-Privada e, segundo o cronograma contratual atualmente divulgado pelo Estado, tem conclusão prevista para junho de 2031.

Plataforma no mar será uma das primeiras grandes estruturas da obra

Antes que boa parte da ponte definitiva avance sobre a baía, será instalada a chamada Plataforma Linear Provisória (PLP).

A estrutura ficará paralela ao traçado da futura ponte e funcionará como uma espécie de corredor de trabalho sobre o mar. Por ela poderão circular equipes, máquinas e equipamentos utilizados principalmente na construção das fundações.

Documentos oficiais descrevem uma plataforma próxima de 12 quilômetros. Informações divulgadas durante a mobilização da obra apontaram cerca de 11,2 quilômetros na configuração operacional mais recente.

A solução pretende diminuir a dependência de embarcações para transportar trabalhadores e equipamentos entre as diferentes frentes de serviço.

Segundo informações divulgadas sobre o projeto, a expectativa é reduzir em aproximadamente 70% a circulação de embarcações de apoio durante determinadas etapas da construção.

Estacas metálicas vão sustentar estrutura dentro da baía

Uma das etapas mais complexas será a construção das fundações.

O projeto prevê a utilização de grandes tubos metálicos cravados no leito da Baía de Todos-os-Santos. Equipamentos instalados sobre plataformas e balsas serão utilizados para posicionar e cravar essas estruturas.

Depois dessa etapa, o interior das estacas será escavado. Armaduras metálicas previamente montadas serão inseridas e o concreto será aplicado de maneira controlada, inclusive em operações submersas.

Os blocos de fundação que receberão os pilares também serão construídos em diferentes fases, com elementos pré-moldados, formas metálicas, armações e concretagem.

A execução dessas estruturas foi detalhada no material técnico apresentado pela concessionária.

Torres de 248 metros estarão entre os pontos mais altos da ponte

Na região destinada à passagem de grandes embarcações, a ponte utilizará o sistema estaiado, no qual cabos conectados às torres ajudam a sustentar o tabuleiro.

As duas torres principais terão aproximadamente 248 metros de altura e formato vazado semelhante a um diamante.

A previsão é que cada uma seja construída em dezenas de segmentos sucessivos, utilizando formas hidráulicas que avançam conforme a estrutura ganha altura.

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A parte estaiada terá ainda superestrutura combinando aço e concreto. Informações técnicas recentes indicam que o vão central foi dimensionado para ampliar a segurança da navegação de navios de grande porte na Baía de Todos-os-Santos.

Ponte terá 12,4 km entre Salvador e Vera Cruz

A travessia principal será dividida em setores distintos.

De acordo com as informações oficiais, haverá aproximadamente 6,9 km de aproximação pelo lado de Salvador, 4,6 km pelo lado da Ilha de Itaparica e cerca de 900 metros no trecho estaiado.

A parte destinada à navegação terá altura suficiente para permitir a passagem de embarcações de grande porte, incluindo navios, petroleiros e outras estruturas utilizadas na Baía de Todos-os-Santos.

Obra vai muito além da ponte sobre o mar

Apesar de a ponte concentrar a maior parte da atenção, o empreendimento envolve um sistema rodoviário mais amplo.

Em Salvador, o projeto prevê aproximadamente 4 km de novos acessos, com viadutos e dois túneis próximos à Via Expressa, entre a região da Calçada e Água de Meninos.

Do outro lado, em Vera Cruz, está prevista uma nova via expressa de 22 quilômetros para distribuir o fluxo que chegará pela ponte.

Outro trecho da intervenção contempla a duplicação de aproximadamente 8,8 quilômetros da BA-001, seguindo em direção à Ponte do Funil.

Obras também dependem de logística em terra

A operação foi estruturada com grandes áreas de apoio em diferentes pontos da Bahia.

São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, tornou-se uma das principais bases logísticas e industriais ligadas à fabricação e preparação de componentes.

Vera Cruz concentra atividades próximas à cabeceira da ponte, enquanto Salvador também terá estrutura para apoio administrativo e produção de materiais utilizados no empreendimento.

Em maio, mais de 800 toneladas de equipamentos e materiais chegaram à Bahia para o início das obras, enquanto milhares de toneladas de tubos de aço começaram a ser direcionadas às primeiras etapas da plataforma sobre a água.

Licenciamento permitiu avanço das intervenções

Em junho, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia publicou atos ambientais necessários ao avanço das obras, incluindo Licença de Implantação e autorizações relacionadas à vegetação, fauna e medidas compensatórias.

Esses documentos estabelecem condicionantes ambientais que precisam ser cumpridas durante a implantação do empreendimento.

No mesmo período, o andamento da obra apresentado ao Tribunal de Contas do Estado já incluía movimentação dos três canteiros, montagem da plataforma provisória e início das intervenções em terra.

Quando a Ponte Salvador-Itaparica deve ficar pronta?

O contrato foi reformulado por meio de um termo aditivo assinado em 4 de junho de 2025.

A partir dessa atualização, foi estabelecido um período total de seis anos envolvendo projetos, licenciamento e execução das obras. Depois da construção, a concessionária deverá permanecer responsável pela operação e manutenção do sistema por outros 29 anos.

A previsão contratual atualmente informada pelo Governo da Bahia aponta junho de 2031 como prazo para conclusão dos serviços.