O candidato ao Senado pela Bahia Rui Costa (PT) colocou grandes obras de infraestrutura e investimentos em educação no centro de sua participação em uma sabatina realizada. Durante a entrevista, o ex-governador também respondeu a questionamentos sobre segurança pública, saúde, geração de empregos e projetos federais considerados estratégicos para o estado.
Rui afirmou que decidiu disputar uma vaga no Senado por considerar que o governo federal precisa ampliar sua base no Congresso para avançar em projetos e mudanças legislativas. Segundo ele, uma de suas prioridades seria atuar em propostas relacionadas à segurança e à educação infantil.

A candidatura de Rui Costa ao Senado consta na relação de postulantes registrada para as eleições de 2026 na Bahia.
Ponte Salvador-Itaparica vira um dos principais temas da entrevista
Um dos momentos de maior destaque ocorreu quando Rui Costa foi questionado sobre a Ponte Salvador-Itaparica, projeto que há anos provoca debates políticos na Bahia.
O candidato afirmou que a obra já entrou em uma nova etapa e sustentou que as primeiras estacas começaram a ser executadas. Também projetou que os baianos poderão utilizar a ponte dentro de aproximadamente cinco anos.
Durante a resposta, Rui comparou o empreendimento a outros projetos de mobilidade implantados pelo governo estadual, citando o metrô e o VLT como exemplos de obras inicialmente questionadas por adversários.
O avanço das primeiras estruturas da ponte também foi divulgado durante a primeira semana de setembro.
Além de ligar Salvador à Ilha de Itaparica, o projeto é considerado estratégico para reorganizar os deslocamentos entre a capital, o Recôncavo e regiões do Baixo Sul da Bahia.
Rui Costa propõe ampliar obrigação de oferta de creches
A educação apareceu repetidamente durante a sabatina.
Rui Costa afirmou que pretende defender no Senado uma legislação que amplie a responsabilidade dos municípios na oferta de creches e educação infantil.
Para o candidato, os primeiros anos da formação escolar têm impacto direto sobre o desempenho dos estudantes nas etapas posteriores da educação.
Ele também destacou os investimentos realizados em escolas estaduais de tempo integral e defendeu uma expansão da formação técnica integrada ao ensino médio. Segundo Rui, escolas públicas deveriam oferecer aos estudantes tanto a formação tradicional quanto oportunidades de qualificação profissional.
Segurança pública entra no centro da sabatina
Questionado sobre os índices de violência registrados na Bahia, Rui reconheceu que a segurança pública permanece como um dos principais desafios enfrentados pelo estado.
O candidato argumentou que os índices mais elevados estariam concentrados principalmente em grandes cidades e áreas afetadas pela disputa territorial entre organizações criminosas.
Rui também defendeu mudanças na legislação nacional e maior participação do governo federal no combate ao crime organizado.
Durante a entrevista, ele ainda questionou comparações entre estatísticas criminais de diferentes estados, alegando que existem divergências na classificação de determinadas mortes. A afirmação foi apresentada pelo candidato como argumento político durante a sabatina e não elimina a necessidade de comparar indicadores produzidos com metodologias equivalentes.
Saúde e regulação provocam embate político
A fila da regulação também ganhou espaço durante a entrevista.
Ao ser questionado sobre pacientes que aguardam vagas hospitalares, Rui Costa direcionou críticas principalmente aos municípios que, segundo ele, possuem pouca estrutura hospitalar própria e acabam recorrendo à rede estadual.
O candidato citou Feira de Santana, Vitória da Conquista e Salvador ao defender maior participação dos municípios na oferta de serviços de saúde.
Boa parte desse trecho da sabatina foi marcada por ataques políticos a ACM Neto e às administrações municipais ligadas ao seu grupo. As declarações constituem posicionamentos de Rui Costa dentro do ambiente eleitoral.
BR-324 e BR-116 terão novo leilão em dezembro
A situação das rodovias BR-324 e BR-116 também foi abordada.
Durante a entrevista, Rui afirmou que o modelo de concessões federais passou por mudanças e que a nova estrutura priorizaria investimentos nas estradas em vez da arrecadação de valores elevados de outorga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres confirma que a nova concessão, batizada de Rota 2 de Julho, contempla aproximadamente 653 quilômetros das duas rodovias e prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos.
O projeto inclui cerca de 306 quilômetros de duplicações, além da implantação do sistema de pedágio eletrônico conhecido como Free Flow. O leilão está marcado para 18 de dezembro de 2026.
O cronograma oficial, portanto, atualiza uma declaração feita por Rui durante a sabatina, quando ele ainda mencionava a expectativa de publicação do processo de concessão.
FIOL também é alvo de questionamentos
Outro projeto estratégico discutido foi a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).
Questionado sobre os atrasos acumulados na implantação da ferrovia, Rui Costa afirmou que diferentes trechos possuem modelos distintos de execução.
Segundo ele, o segmento entre Caetité e o Rio São Francisco possui obras sob responsabilidade pública, enquanto o trecho entre Ilhéus e Caetité está ligado a uma concessão envolvendo a mineração.
Rui atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelo projeto aos anos de paralisação e também às mudanças ocorridas no controle empresarial da concessionária responsável por determinado trecho.
A FIOL é considerada uma das principais obras logísticas da Bahia porque poderá criar uma nova rota para o escoamento da produção mineral e agrícola do interior até o litoral.
Formação profissional aparece como estratégia para gerar empregos
Ao falar sobre emprego, Rui Costa defendeu que a Bahia precisa ampliar a formação profissional dos jovens para conquistar vagas de maior qualificação e remuneração.
O candidato mencionou parcerias realizadas entre a rede estadual e instituições como o Senai Cimatec, além da expansão dos cursos técnicos nas escolas.
Para Rui, o ensino médio em tempo integral deveria combinar disciplinas tradicionais com formação profissional, permitindo que o estudante conclua a educação básica já preparado para ingressar no mercado de trabalho.
Rui Costa coloca parceria com governo federal no centro da campanha
Ao longo da sabatina, Rui Costa também procurou associar sua candidatura ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ex-governador afirmou que pretende atuar no Senado para facilitar a aprovação de projetos do Executivo e ampliar investimentos federais direcionados à Bahia.
Também citou obras como VLT, expansão do metrô, rodovias, barragens e a Ponte Salvador-Itaparica como exemplos de investimentos realizados ou planejados por meio da parceria entre os governos estadual e federal.
A estratégia ocorre em um cenário eleitoral no qual Rui aparece entre os principais nomes da disputa pelas duas vagas baianas no Senado. Pesquisa Real Time Big Data divulgada em 9 de setembro apontou o petista com 26% das intenções de voto no cenário consolidado, seguido por Jaques Wagner, com 19%, e João Roma, com 17%.
A campanha entra agora em uma fase decisiva, com infraestrutura, segurança pública, saúde e geração de empregos entre os temas que tendem a dominar o debate eleitoral na Bahia
