O senador Jaques Wagner (PT), candidato à reeleição, respondeu a questionamentos sobre alguns dos principais temas que movimentam o cenário político da Bahia durante sabatina promovida pelo BNews na terça-feira, 8 de setembro.

Ao longo da entrevista, o parlamentar falou sobre as investigações envolvendo o Banco Master, as obras da Ponte Salvador-Itaparica, segurança pública, fila da regulação, educação, rodovias federais e a proposta de encerramento da escala de trabalho 6×1.

Jaques Wagner anuncia saída da liderança do governo no Senado | Agência Brasil

Também houve espaço para temas diretamente relacionados às eleições de 2026 e para críticas a adversários políticos. Por isso, parte das afirmações feitas durante a entrevista representa a avaliação e a posição política do próprio candidato, e não uma conclusão independente sobre os fatos.

Banco Master entrou entre os principais assuntos da entrevista

Um dos momentos de maior destaque ocorreu quando Wagner foi questionado sobre as investigações relacionadas ao Banco Master.

O senador negou ter mantido negócios com a instituição e afirmou que sua relação ocorreu anteriormente com o empresário Augusto Lima, em operação relacionada à antiga Cesta do Povo.

Wagner também sustentou que não recebeu recursos do Master e disse acreditar que as investigações deverão esclarecer definitivamente o episódio.

O caso vem sendo explorado no debate eleitoral. Reportagem publicada pelo próprio BNews após a sabatina destacou que Wagner negou envolvimento com o banco e fez críticas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As responsabilidades eventualmente atribuídas a pessoas citadas nas investigações dependem da apuração das autoridades competentes e não devem ser consideradas comprovadas apenas com base nas declarações dadas durante a entrevista.

Ponte Salvador-Itaparica volta ao centro do debate

A Ponte Salvador-Itaparica também ocupou espaço relevante na sabatina.

Questionado sobre críticas feitas ao prazo de execução do projeto, Wagner defendeu o empreendimento e afirmou que a obra será importante para reduzir deslocamentos entre Salvador, a Ilha de Itaparica, o Baixo Sul e outras regiões do estado.

Segundo ele, a infraestrutura poderá transformar a circulação de pessoas e mercadorias em parte da Bahia.

A execução da ponte passou por uma renegociação contratual. Documentos oficiais do Governo da Bahia informam que um termo aditivo firmado em junho de 2025 reiniciou a contagem dos prazos contratuais e atualizou o planejamento da obra.

Durante a sabatina, Wagner também estimou que o tráfego pela estrutura poderá ocorrer dentro de aproximadamente cinco anos. Essa previsão deve ser tratada como uma estimativa apresentada pelo senador, e não como garantia de conclusão nessa data.

Segurança pública: senador defende maior integração

Outro tema que recebeu atenção foi a segurança pública.

Wagner argumentou que o enfrentamento ao crime organizado depende da integração entre União, estados e municípios, principalmente no compartilhamento de informações e no combate às estruturas financeiras das organizações criminosas.

O senador também se posicionou contra a redução da maioridade penal para 16 anos. Para ele, mudanças no Código Penal e investigações financeiras teriam maior potencial de atingir organizações criminosas.

Parte da discussão ocorreu em meio à tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado.

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A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o relatório da proposta no início de setembro. O texto prevê maior integração dos órgãos de segurança, inclusão do Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e alterações relacionadas às políticas penais.

Fila da regulação também gerou cobrança

Na saúde, Wagner foi questionado sobre a fila da regulação na Bahia.

O senador afirmou durante a entrevista que cerca de 70% das solicitações de internação seriam atendidas em até 24 horas e aproximadamente 85% em até 72 horas.

Esses percentuais foram apresentados pelo candidato durante a sabatina e não foram acompanhados, no material fornecido, de uma base de dados que permita verificar de forma independente os números.

Wagner ainda relacionou a situação da regulação à disponibilidade de leitos municipais e citou a expansão de hospitais estaduais como estratégia para ampliar a oferta de atendimento.

O tema provocou críticas políticas à administração municipal de Salvador e defesa das ações realizadas pelo Governo da Bahia.

Escala 6×1 pode mudar jornada dos trabalhadores

Outro assunto com impacto direto para trabalhadores baianos foi o possível fim da escala 6×1.

Wagner se declarou favorável à mudança e afirmou acreditar que uma jornada com mais descanso pode aumentar a produtividade e abrir espaço para a geração de empregos.

A proposta não está aprovada definitivamente.

A PEC 221/2019 passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2 de setembro e seguiu para análise do Plenário. O texto reduz progressivamente a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e prevê dois dias de repouso remunerado por semana, sem redução salarial.

Portanto, qualquer mudança efetiva nas regras trabalhistas ainda depende das próximas etapas de tramitação.

BR-324 e concessões também foram discutidas

Durante a entrevista, Wagner também foi confrontado sobre os problemas registrados na concessão das BRs 324 e 116.

O senador reconheceu que o resultado do antigo modelo de concessão não foi satisfatório e afirmou que houve falhas na avaliação da proposta vencedora.

Ele argumentou que preços excessivamente baixos apresentados em licitações podem comprometer a execução futura dos contratos e defendeu um novo modelo para as rodovias.

O assunto tem peso especial para a Bahia porque a BR-324 conecta Salvador a Feira de Santana e é um dos principais corredores rodoviários do estado.

Sabatina antecipou temas que devem dominar campanha na Bahia

A entrevista mostrou que infraestrutura, segurança, saúde, geração de empregos e as investigações envolvendo figuras políticas deverão permanecer entre os principais assuntos da campanha eleitoral baiana.

Ao mesmo tempo, a proximidade das eleições aumenta a circulação de declarações, acusações e comparações entre candidatos.

Para o eleitor, a distinção entre dados comprovados, promessas de campanha, opiniões de candidatos e informações ainda investigadas será fundamental durante as próximas semanas.