O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) criticou a situação da BR-324 e a atuação da antiga concessionária ViaBahia durante uma sabatina promovida pela TV Aratu. Ele também direcionou críticas ao governador Jerônimo Rodrigues e ao governo federal ao tratar da manutenção da principal ligação rodoviária entre Salvador e Feira de Santana.

As declarações foram feitas no contexto da nova concessão das BRs 116 e 324, processo que avançou nas últimas semanas e tem leilão previsto para 18 de dezembro de 2026.

ACM Neto declara R$ 85 milhões em patrimônio ao TSE, mais que o dobro de  2022

Embora Neto tenha feito críticas políticas à atual gestão, documentos oficiais mostram que a administração das rodovias e o processo de concessão envolvem diretamente órgãos federais, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o Tribunal de Contas da União (TCU).

ACM Neto critica condições da BR-324

Durante a entrevista, ACM Neto afirmou que usuários da BR-324 enfrentam problemas relacionados à conservação da pista, buracos, acostamentos e aumento do tempo das viagens entre Salvador e Feira de Santana.

Segundo ele, a situação deveria ter recebido maior articulação política do governo estadual junto ao governo federal. Essa avaliação, no entanto, representa uma posição do candidato no contexto da campanha eleitoral, e não uma conclusão técnica ou institucional sobre responsabilidades.

Neto também afirmou que, caso seja eleito, pretende mobilizar parlamentares baianos e representantes do governo federal para buscar melhorias nas rodovias.

Na entrevista, ele defendeu ainda a ampliação da capacidade da BR-324, com uma faixa adicional em cada sentido.

ViaBahia deixou as rodovias em maio de 2025

A ViaBahia administrou trechos das BRs 116 e 324 até 15 de maio de 2025, quando o contrato de concessão foi oficialmente encerrado.

Segundo a ANTT, o encerramento ocorreu por meio de um acordo consensual mediado pelo TCU e encerrou disputas existentes entre a concessionária e a União. Depois da saída da empresa, a administração provisória dos trechos federais passou ao DNIT.

O acordo havia sido validado pelo Tribunal de Contas da União em fevereiro de 2025. Documentos analisados pelo próprio TCU mencionaram uma indenização estimada em R$ 892 milhões relacionada ao encerramento antecipado do contrato.

Portanto, a afirmação feita durante a sabatina sobre o pagamento de indenização tem respaldo documental quanto ao valor aproximado, embora responsabilidades contratuais e eventuais descumprimentos envolvam processos técnicos e jurídicos mais amplos.

Nova concessão terá 653 quilômetros

O processo atual recebeu o nome de Rota 2 de Julho e abrange 653,3 quilômetros das BRs 116 e 324 na Bahia.

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A ANTT aprovou o edital em 3 de setembro de 2026, depois de o TCU autorizar o avanço do projeto. O leilão está previsto para acontecer em 18 de dezembro, na B3, em São Paulo.

Entre as intervenções previstas estão aproximadamente 306,6 quilômetros de duplicações, além de recuperação, conservação, operação, atendimento ao usuário e ampliação da capacidade das rodovias.

A modelagem divulgada pela ANTT aponta cerca de R$ 14,3 bilhões em investimentos diretos, além de aproximadamente R$ 9 bilhões em despesas operacionais ao longo dos 30 anos de contrato.

Outra mudança prevista é a adoção do sistema eletrônico de cobrança Free Flow, sem as tradicionais praças físicas de pedágio.

Participação da antiga concessionária virou questão no TCU

Um dos pontos levantados na entrevista foi a possibilidade de a antiga concessionária participar novamente de uma licitação das rodovias.

Documentos do TCU mostram que a Concrod Concessionária de Rodovias Ltda., atual denominação da ViaBahia, questionou uma cláusula existente na minuta do novo edital.

A regra discutida impedia a participação de empresa que tivesse celebrado, nos cinco anos anteriores, solução consensual para encerramento de contrato de concessão no âmbito do TCU.

A própria empresa levou o tema ao Tribunal, argumentando que a restrição poderia contrariar os termos do acordo anterior. O TCU determinou análise específica da questão durante a tramitação do processo.

O aviso oficial do edital publicado pela ANTT informa que os requisitos definitivos de participação estão detalhados no edital e nos respectivos anexos.

Assim, não é correto tratar uma eventual participação da antiga ViaBahia como fato consumado apenas com base nas declarações políticas feitas durante a sabatina.

BR-324 tem importância estratégica para a Bahia

A BR-324 funciona como principal corredor rodoviário entre Salvador e Feira de Santana e integra uma rota fundamental para o transporte de passageiros, mercadorias e acesso à capital baiana.

Por isso, conservação, duplicação, segurança e condições de tráfego tendem a permanecer entre os temas de maior impacto para os usuários durante o processo de transição para uma nova concessionária.

Até que o futuro contrato entre em vigor, a situação das rodovias continua ligada à atuação dos órgãos federais responsáveis pelo trecho e às intervenções realizadas durante o período de administração provisória.

Com o edital já publicado, o próximo marco decisivo será o leilão de 18 de dezembro de 2026, quando será conhecido o grupo interessado em assumir a Rota 2 de Julho pelos próximos 30 anos.